«Palavra de músico»
imagino a sair de cada concerto dado, no banco de trás do carro, fico calado e concentrado, escrevo sons com o dedo, no vidro embaciado, a paisagem é a poesia movimento acelerado, velocidade louca, que me tira o ar do peito, é uma desilusão constante que fica em mim quando me deito, o carro vira autocarro, e sines passa a lisboa, o amor que partilhava é hoje ódio que magoa, entre canetas coloridas só a preta me cativa, e com tanta luz apontada só a sombra em motiva, não quero uma distinção, um troféu com pó guardado, mendigo a liberdade a cada som gravado, se o que faço não tem valor e ao talento arte não devo, diz-me porque tremes ao ouvir o que escrevo, dá-me a tua sinceridade, verdade eu tou em pé, prefiro gerir o meu fracasso a comprar o meu sucesso,
«é mais um dia e o sonho que não fui, a noite leva a minha voz até ao céu, a mágoa que sobra aos poucos me destrói, sou eu eu não sei ser herói»
uma chapada no destino, a cada beat tanto sucesso, só meço o que escrevo sou do tamanho deste verso, não queiras ser como eu sou só ninguém, e ninguém é perfeito pra ser ídolo de alguém, analogia, perfeita, trancada numa sala, uma pessoa iluminada e um dedo para aponta-la, microfone ligado e uma mão levantada, deste púlpito de onde falo deixo uma multidão calada, o que eu sigo no palco tu não vês na televisão, a emoção de dizer-te isto não te dá educação, uma carreira é um refugio pra uma vida fracassada, sou a vida fora dela em coragem elevada, eu gosto de ir a pé desde que faça eu a estrada, orgulho escorpião e uma paixão fotografada, e o mais importante da humidade secar, ficou escrito onde é que eu vivo depois do concerto acabar...
Sem comentários:
Enviar um comentário