« Será que não morri, será que sou eu quem está ali, será que foi o meu fim, não eu estou vivo, estou vivo, estava era fora de mim»
Terra molhada, sinto o cheiro e oiço a chuva pesada, a visão está desfocada mas consigo ver uma estrada, percorro-a com o peito ansioso e apertado, um nó na garganta e outro na cabeça instalado, no fim do caminho há um portão que range quando eu o abro, uma multidão chorosa e de luto é o que eu me deparo, e pelas campas que do chão desvanda-me o mistério, eu deduzo que isto seja um cemitério, todas estas faces, não me parece desconhecido, e no buraco aberto ao céu eu vejo o meu corpo estendido, deus queira que seja só um sonho esquisito, vejo a minha mãe ajoelhar-se e deixar escapar um grito, "o meu filho meu filho!", mãe eu estou aqui, quero, que olhes pra mim não sou esse corpo ai, porque é que chora a minha família aflita, eu estou aqui e esse corpo não se anima, horrorosa esta sinfonia um padre com um bíblia não acreditem que estou morto olhem pra mim isso é mentira, e o mais estranho é que apesar de assistir ao meu funeral, inda acredito que posso ser imortal,
«Será que eu morri, será que sou eu quem está ali, será que foi o meu fim, não eu estou vivo, estou vivo, estava era fora de mim»,
eu tinha coisas pa fazer, eu não me lembro de morrer, tanta frase por dizer, tanto poema que fica por escrever, preferia ver esse corpo a arder então, do que assistir o meu pai a decalcar um fusso com a mão, e tu "amor" porque choras?, lembra-te que não posso estar morto, não é o destino que nos separa parece que foi ele que nos juntou, nunca quis partir sem revelar o que trago cá dentro, mas eu quando vivi não tive coragem suficiente, julguei viver pa sempre, e mantive-me preguiçoso, há adiar movimentos pra depois do meu corpo, pensava que ia mudar o mundo mas não me cheguei a pensar muito, pensando bem acho que já estou morto desde que fiquei doido, «tem calma men», ya ya, eu estou vivo, e o facto de me quererem matar é a prova disso, e foi talvez por isso que me tornei há prova de sorrisos, e vejo-me a ser enterrado no próprio chão que eu piso, entro no meu corpo oiço palmas, tudo isto enquanto vivo, se os mortos poderem ver alguém então tá tudo fixe, o meu peps chega de lágrimas e flores hão-de nascer pessoas melhores, esta foi a minha última actuação neste mundo de actores....
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